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Uso de cigarro eletrônico entre jovens acende alerta para aumento futuro de câncer de boca
Pesquisas apontam alterações celulares associadas ao uso do vape, embora as consequências clínicas possam levar anos para se manifestar
Por Administrador
Publicado em 24/07/2026 10:13
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Estudos experimentais indicam que o vapor do cigarro eletrônico provoca alterações celulares e genéticas na mucosa da boca, capazes de favorecer o desenvolvimento de tumores ao longo do tempo. O alerta tem preocupado especialistas porque, como o câncer costuma levar anos para se desenvolver, os efeitos do consumo entre adolescentes e jovens adultos só devem aparecer nos consultórios daqui a algum tempo.

 

“Como o cigarro eletrônico é consumido principalmente por uma população mais jovem, a tendência é que esses impactos apareçam na prática clínica daqui a alguns anos. Hoje, o foco precisa ser a prevenção. Já observamos diversas repercussões respiratórias, mas, em relação ao câncer de boca, ainda não vemos um aumento expressivo de casos, embora existam evidências consistentes de que os mecanismos envolvidos no desenvolvimento da doença já estejam presentes”, explica a cirurgiã de cabeça e pescoço do Hospital São Marcelino Champagnat, Ana Gabriela Neis.

 

O câncer de boca já está entre os tumores que mais crescem no país, com cerca de 15,1 mil novos casos por ano no triênio 2023-2025, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Os principais fatores de risco já conhecidos da doença são tabagismo, consumo de álcool, exposição solar nos lábios e infecção por HPV. 

 

Mais do que o número atual de usuários de vape, o que preocupa os especialistas é o perfil de quem consome esses dispositivos: adolescentes e jovens adultos, que tendem a permanecer expostos aos seus efeitos por décadas. Dados divulgados pelo Inca, com base no Vigitel 2024, do Ministério da Saúde, mostram que o uso de cigarros eletrônicos entre adultos brasileiros atingiu 2,6%, o maior índice desde o início da série histórica, em 2019. Entre jovens de 18 a 24 anos, 10,1% utilizam o vape atualmente, enquanto quase um quarto (24,8%) já o experimentou. Entre os adolescentes, 76,3% mantêm o uso do dispositivo após o primeiro contato.

 

Mesmo com a comercialização proibida no Brasil desde 2009 — decisão mantida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2024, após reavaliação das evidências científicas —, o vape continua circulando por canais informais e nas redes sociais, frequentemente associado a sabores adocicados e à falsa percepção de ser uma alternativa mais segura do que o cigarro convencional.

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