Pioneiro na difusão do cinema nacional produzido fora dos grandes centros, o Festival Visões Periféricas começa em 23 de julho com a exibição de 69 produções selecionadas entre 856 inscrições — número 70% maior do que em 2025.
A edição homenageia o projeto Vídeo nas Aldeias, com a exibição do filme Arquivo Vivo, de Vincent Carelli e Ana Carvalho. A programação gratuita segue até 26 de julho, reunindo obras das cinco regiões do país, incluindo um documentário de Santa Catarina sobre o maracatu como espaço de resistência e pertencimento de uma comunidade negra no Sul do país.
Segundo os curadores Lukas Nascimento, Quézia Lopes, Olinda Tupinambá e Wilq Vicente, nessa edição estão representados 18 estados, destacando-se produções audiovisuais com narrativas ligadas a mulheres, memória, identidades de gênero, culturas de terreiro, apagamentos históricos, vida nas cidades, questões ambientais e precarização do trabalho.
Entre os filmes que podem ser vistos de forma online, além da seleção especial aberta na plataforma da Itaú Cultural Play, de 23 de julho a 6 de agosto, o público terá acesso também à mostra Visorama, disponível no site do festival.
Representante de Santa Catarina
O documentário Maracatu Liberta, dirigido por Rita Oenning da Silva e produzido pela Flor do Vento, representa o estado de Santa Catarina no festival. O filme recebeu os prêmios de Melhor Música e Menção Honrosa nas categorias Melhor Filme e Melhor Roteiro no The Archaeology Channel International Film Festival, realizado em Oregon, no Canadá.
A obra acompanha uma família negra no sul do Brasil e sua relação com o maracatu como espaço de pertencimento e resistência. Ao longo do filme, a cultura popular surge como um caminho para fortalecer vínculos, enfrentar o racismo e afirmar identidades.