Aula de música pode ajudar no desenvolvimento da fala da criança?
Quando uma criança pede para ouvir a mesma música várias vezes, a repetição pode parecer apenas uma fase ou uma mania infantil. Mas, no desenvolvimento da fala, canções simples, ritmo e interação com adultos podem ter um papel importante na construção da linguagem, da escuta e do vocabulário.
Segundo Cintya Soares, musicista e fonoaudióloga (@ibprof.com.br no Instagram), a música faz parte da experiência da criança desde muito cedo. Ainda na gestação, o bebê já entra em contato com sons do corpo da mãe, da voz materna e do ambiente ao redor.
“A audição é o primeiro sentido que o bebê desenvolve dentro da vida uterina. Lá pela 20ª, 25ª semana de gestação, a criança já começa a ouvir os sons externos”, diz.
De acordo com ela, esse contato precoce ajuda a explicar por que sons familiares podem acalmar recém-nascidos e por que a música costuma despertar interesse já nos primeiros meses de vida.
Por que a criança quer repetir a mesma música?
A repetição, tão comum na infância, também tem função no aprendizado. Segundo Cintya, quando os pequenos pedem a mesma música várias vezes, eles não estão apenas insistindo em uma preferência. Eles também criam segurança e reforçam aquilo que se aprende.
“Criança gosta de repetição. Essa repetição traz segurança e, a cada vez que se repete, o cérebro vai assimilando, criando rotina, e a criança vai adquirindo e consolidando o novo vocabulário”, destaca.
Esse processo aparece nas músicas e nas rotinas do dia a dia. A cada repetição, a criança reconhece melhor os sons, antecipa palavras, tenta completar trechos e participa mais da troca.
O papel da música em crianças com atraso de fala
Mesmo quando a criança está em investigação ou já tem algum diagnóstico, o vínculo com a música pode continuar, desde que respeite as orientações dos profissionais que acompanham o caso.
Para Cintya, a música pode favorecer a linguagem, escuta, socialização, atenção, movimento corporal e vínculo. Mas cada criança precisa ser observada individualmente, especialmente quando há atraso de fala, suspeita de alteração auditiva, dificuldade de interação ou outros sinais de desenvolvimento.
Ela defende também que profissionais que acompanham a criança conversem entre si. Pediatra, foniatra, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, fisioterapeuta, psicólogo, professor e musicoterapeuta, quando houver indicação, podem atuar de forma complementar. “Nada substitui, mas tudo agrega”, afirma.